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Juan faz gol e espera mais espaço no São Paulo em 2023

"Sou aquela sombra chata"

Por Leonardo Lourenço 22/11/2022 às 08:06:10

Juan em ação pelo São Paulo contra o Cuiabá - Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Um motorista contratado pelo São Paulo estacionou o carro no Morumbi na noite do dia 27 de novembro de 2021, logo após a vitória tricolor por 2 a 0 sobre o Sport, pelo Campeonato Brasileiro. A missão era levar o jovem atacante Juan dali até o CT de Cotia, onde o time sub-20 estava concentrado. Saiu de lá sozinho.

Pouco antes, Juan tinha feito seu primeiro jogo no profissional sob o comando do técnico Rogério Ceni. Entrou no fim, atuou pouco mais de dois minutos. Bastou para que fosse promovido – e deixasse o motorista sem ter quem levar a Cotia.

– Eu treinava no time de cima, mas descia para jogar (na base). Minha estreia com o Ceni foi contra o Sport, mas no dia seguinte tinha o jogo de volta da final do Brasileiro sub-20, contra o Inter. Eu tinha conversado com o Alex: vou jogar aqui (no profissional), depois desço pra Cotia, concentro e jogo a final – contou Juan ao ge.

– Mas entrei bem contra o Sport, o Ceni gostou. Ceni e Muricy (Ramalho, coordenador) me chamaram, perguntaram se eu queria jogar (a final do sub-20). Respondi que sim, tinha dado minha palavra. Mas o Ceni achou melhor eu não descer, já contava comigo e queria evitar risco de lesão. Foi quando soube que não desceria mais pra base – lembrou o atacante de 20 anos.

– O motorista deve estar bravo comigo até hoje, fez uma viagem lá pro Morumbi (à toa) – riu.

Juan foi incorporado de vez ao elenco principal e entrou em campo em mais três jogos naquele ano, sendo titular contra o América-MG.

Nesta temporada, a primeira completa no time principal, fez 13 jogos. O gol saiu no último, contra o Goiás.

– Esse gol foi para coroar meu trabalho no ano, a minha paciência, para entender e ter perspectiva diferente para o ano que vem. Sei que tenho potencial. O gol vem como alívio pelo que trabalhei no ano. Temos que entender o cenário para não se cobrar demais – disse ele.

O cenário, no caso, é o de um setor com concorrência dura no São Paulo. Calleri, o dono da camisa 9, terminou 2022 em seu ano com mais gols na carreira, 27, e como protagonista da equipe.

– Eu penso que é uma concorrência saudável. Eu sou essa sombra chata. Sei que incomodo e estimulo quem está de titular na minha posição a trabalhar mais. Tem espaço para todo mundo. Quando eles não estiverem bem, vou poder entrar e compensar.

Juan, nascido em Mauá, na Grande São Paulo, em 2002, jogou futsal até os 11 anos. Com 15, morou sozinho por um ano em Porto Alegre enquanto defendeu o Grêmio. No ano seguinte, porém, preferiu voltar a São Paulo em busca de maior visibilidade.

Jogou o Paulista Sub-17 pelo União Barbarense, de Santa Bárbara d"Oeste, e atraiu grandes clubes. Passou um mês no Palmeiras, mas tinha proposta do São Paulo. Optou pelo clube tricolor ao conhecer a estrutura do CT de Cotia.

– É surreal. Nunca vi nada parecido – afirmou.

Neste ano, renovou contrato com o São Paulo até o fim de 2024. O clube, que até então era dono de apenas 20% dos direitos do atleta, ampliou sua participação para 60%.

– Não é só o gol que torna o meu ano especial. É todo o processo, de ser promovido ao elenco principal, que é um sonho. Agora tenho o sonho de ser protagonista, me firmar. São outros objetivos a cumprir – disse Juan.

– Não tem preço olhar para a família e ver todos felizes torcendo a cada jogo. No momento do gol, tudo isso se cumpriu, todos que torcem por mim estavam esperando isso acontecer.

Fonte: GE

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